quinta-feira, 8 de maio de 2014

O homem que não escolheu a religião


 "Então lhes disse: Israelitas, considerem cuidadosamente o que pretendem fazer a estes homens. [...] Portanto, nesse caso eu aconselho: deixem esses homens em paz e soltem-nos. Se o propósito ou atividade deles for de origem humana, fracassará; se proceder de Deus, vocês não serão capazes de impedi-los, pois se acharão lutando contra Deus."(Atos5:35, 38-39)
Lendo Atos dos Apóstolos me deparei com uma figura interessante. Já me expressei aqui sobre meu gosto por personagens menos óbvios das escrituras sagradas, e esse é um deles: Gamaliel. A Bíblia informa que ele era fariseu, mestre da lei e respeitado por todo o povo (Atos5:34). Fontes externas dizem que ele foi  mestre de Saulo (Paulo) (também em Atos22:3), o que, por si só, já o tornaria um personagem interessante. Mas falaremos mais acerca do seu discurso no Sinédrio, assembleia dos lideres religiosos judeus (Atos5:21), sobre os apóstolos, do qual foi extraído o texto acima.
Logo no começo da Igreja cristã, os apóstolos foram perseguidos pelos judeus por pregarem o evangelho. O sumo sacerdote, cargo máximo da religião judaica no tempo dos apóstolos, tinha expressamente proibido os apóstolos de de pregarem o evangelho (Atos4:17). Ao ver que os mesmo continuavam falando sobre Jesus, trouxeram eles perante o Sinédrio, onde Pedro e os outros apóstolos falaram de Jesus para eles. Ouvindo a pregação dos apóstolos, os judeus ficaram furiosos, querendo mata-los (Atos5:33), pois, como falará Estevão um pouco mais a frente, eles resistiam ao Espírito Santo (Atos7:51). A pregação do cristianismo era uma ameaça para o judaismo, e se essa fosse proliferada, os judeus perderiam seu poder religioso e social. Eles estavam dispostos a defender a sua religião a qualquer custo, chegando ao cumulo de matar os "hereges" para proteger sua autoridade. Nesse momento Gamaliel se levanta pedindo para que os apóstolos se retirassem por um momento e começa seu discurso, o qual consta o fragmento acima escrito. Em todo sua fala o que mais me chama a atenção é que ele considera que, talvez, o propósito daqueles homens poderia ser de Deus, e se fosse, tentar impedi-los seria lutar contra Deus. (Atos5:39) Se por outro lado não fosse, eles fracassariam (38). Vejo nesse ponto uma grande confiança em Deus demonstrada pelo fariseu e não só isso: ele levou em consideração a possibilidade de sua religião estar errada, por que sua confiança não estava na sua religião, mas em seu Deus! É claro que posteriormente, em Atos dos Apóstolos, vemos que esse conselho é deixado de lado, já que a perseguição intensifica-se e muitos cristãos são mortos por pregarem a Jesus, mas percebam como é interessante esse ponto de vista de Gamaliel!
Mas que lição isso nos trás? Vejo muitos cristãos hoje em dia que quase matam para defender sua religião! Ou pior ainda: para defender o jeito de pe
nsar de sua denominação! Precisamos viver e pregar o evangelho, defender o evangelho fica nas mãos de Deus, até porque o cristianismo sobreviveu dois mil anos sem nossa ajuda, por que quem cuida dele é Deus. Não estou dizendo aqui para ficarmos omissos, mas muitas vezes discussões teológicas geram mais calor do que luz, ou seja, muito mais atrito que realmente um reconhecimento de Cristo da outra parte. E que nos atentemos para não nos encontrarmos, em certo ponto da caminhada, "lutando contra Deus". Por que se, de repente, sua denominação não tiver 100% de acordo com a vontade de Deus, e você tiver que decidir, do lado de quem você vai ficar? Da religião ou de Deus? Boa noite!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O poder do desejo

"Uma tarde Davi levantou-se da cama e foi passear pelo terraço do palácio. Do terraço viu uma mulher muito bonita tomando banho, e mandou alguém procurar saber quem era. Disseram-lhe: "É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o hitita". Davi mandou que a trouxessem, e se deitou com ela" (2Samuel 11:2-4)
Uma das grandes qualidades da Bíblia é que ela trata de pessoas reais. Mesmo o grande rei Davi não foi descrito de uma forma romantizada. Ele cometeu um sério erro, descrito no capitulo 11 do segundo livro de Samuel. Ele cometeu adultério com a mulher de Urias, um dos seus servo, e como se não bastasse, ainda premeditou sua morte para omitir seu erro. Mas para entendermos melhor esse erro, precisamos primeiramente conhecer Urias, o servo de Davi.
Urias, o hitita era nomeado como um dos 30 valentes de Davi (2 Samuel23:39). Por ser hitita, não pertencia a tribos de Israel, sendo provavelmente liderado por Davi desde a época que remete a sua perseguição pelo rei anterior, Saul, em que ele se escondeu na caverna de Adulão, e juntaram-se a eles pessoas em dificuldade (1Samuel 22:2). Além disso, demonstra sua fidelidade ao reino quando diz, ao voltar da guerra: "A arca e os homens de Israel e de Judá repousam em tendas; o meu senhor Joabe e os seus soldados estão acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa, comer, beber e deitar-me com minha mulher?" (2Samuel11:11) Era com certeza um servo fiel, e se o ponto de vista fosse o de Urias, com certeza Davi teria sido o vilão da história!
Já Davi, no lugar de ir para a guerra com seu general e sobrinho Joabe, ficou em Jerusalém (2Samuel11:1), provavelmente ocioso, e, como já diz o ditado, "cabeça vazia, oficina do diabo". Dessa vez, meio que foi mesmo. Davi caminha por sua varanda quando vê uma mulher linda tomando banho, e depois de saber quem ela era, mulher de um de seus homens mais valorosos, a chama para o palácio e deita-se com ela. Até ai o pecado estava encoberto, mas havia um problema: um tempo depois a mulher de Urias descobre que está gravida. Davi, no lugar de enfrentar as consequências de seu erro, chama Urias de volta da guerra, e tenta convencê-lo a voltar para casa e deitar-se com sua mulher, para que pensasse que o filho fosse seu. Urias não quis saber e dormiu três dias na porta do palácio, pois não iria usufruir de seus bens enquanto seus companheiros estavam em guerra. Então Davi, traiçoeiramente, manda Urias de volta para guerra com uma carta pedindo para que Joabe o colocasse na linha de frente de batalha, para que morresse. A cidade já estava sitiada (2Samuel11:16), provavelmente ninguém mais precisava morrer, porem no relatório de Joabe à Davi mostra-nos que Joabe executou uma manobra arriscada de batalha, apenas para cumprir a ordem de Davi sobre Urias (2 Samuel11:20) causando não só a morte de Urias mas de muitos outros oficiais da guarda de Davi (2 Samuel11:17). Depois de tudo isso, Davi só se da conta de que pecou quando Natã, o profeta, depois de o filho já ter até nascido, lhe fez uma parábola para que entendesse seu pecado.
O que podemos aprender com Davi? Que o desejo cega a pessoa. O pecado e a vontade de omiti-lo fez com que o homem escolhido por Deus para reinar a Israel adulterasse, enganasse, arquitetasse a morte e colocasse a tomada de uma cidade em risco, por conta de um único desejo. Assim devemos também tomar cuidado, pois todos são sujeitos a erros, e devemos fazer como Deus falou a Caim em Genesis4:6 "Mas se não o fizer (o bem), saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo." Boa Tarde!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Páscoa cristã


"Ao comerem, estejam prontos a sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do SENHOR." (Êxodo12:11)
A festa de Páscoa já passou, mas não pude postar um texto sobre ela antes porque seria um "spoile" de um estudo que houve na minha igreja. Mesmo assim, acho válido falar sobre isso aqui. O capitulo 12 de Êxodo trata do significado da Páscoa Judaica, ou seja, a "Pesach" termo hebraico que significa "passagem". Essa "Pesach", muito resumidamente falando, foi a refeição que foi feita no ultimo dia de escravidão dos hebreus na terra do Egito, que deveria ser repetida no dia 14 do 1° mês (do calendário judaico) de todos os anos como memória da libertação que Deus concedeu ao povo hebreu. Nessa refeição, que é feita pelos judeus até hoje, come-se pão asmos, ervas amargas e um cordeiro sem defeito, o qual não se podia quebrar os ossos (Êxodo12:46). A razão dessa cerimonia era passar, para as novas gerações, os grandes milagres que Deus tinha operado no Egito, para libertação do povo (Êxodo 12:26 e 13:14).
No ano da morte de Jesus, essa festa Pesach (Páscoa) ocorreu, se contarmos os dias no padrão ocidental, em uma quinta-feira a noite. Sim, isso mesmo, não foi em um domingo. Nesse dia, os discípulos perguntam para Jesus onde ele queria que se preparasse a Páscoa (Mateus 26:17), e chegando a hora da refeição ouve uma grande surpresa. No lugar da Páscoa, houve a Ceia! Enquanto a primeira Páscoa foi o ultimo dia de escravidão do povo hebreus, a primeira santa Ceia foi o ultimo dia de escravidão do homem pelo pecado. Enquanto na Páscoa se comia a carne de um cordeiro sem defeito, na Ceia se comeu a carne do cordeiro de Deus, na forma de pão. Na Páscoa o sangue do cordeiro salvou a vida dos primogênitos dos hebreus, na Ceia o sangue de Jesus, que nos lava de todo pecado, foi bebido na forma de vinho. Da mesma forma que Deus deu a Páscoa para lembrança dos seus feitos para as gerações, Jesus nos deu a Ceia para que recordemos dele toda vez que a tomarmos (1 Corintios11:25). Glória a Deus!
Vemos que a Ceia é a "Páscoa cristã" que "substituiu" a Páscoa judaica. A Páscoa, na Bíblia nunca é citada como uma festa cristã. Pelo contrário, no evangelho de João, é citada como sendo uma festa dos judeus (João 6:4, 11:55 e 2:13).
Então o que é nossa Páscoa? É uma festa de significado cristão, com nome de festa judaica, na data e com símbolos de festas dos povos do nórdicos (data da colheita, por conta equinócio da primavera no hemisfério norte e coelhos e ovos que simbolizavam fertilidade). Por causa disso deveríamos nós cristãos ignorar seu significado? Claro que não! Podemos nos lembrar da "Páscoa cristã" pelo seu nome menos popular, o "Domingo da Ressurreição", e comemorarmos verdadeiramente a morte e ressurreição de Cristo, por que essa é o motivo maior da nossa fé e esperança. Como disse Paulo, se Cristo não ressuscitou, nossa fé é
vã (1 Coríntios 15:14). Boa noite!

terça-feira, 15 de abril de 2014

A trancedência divina

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Ultimo, o Princípio e o Fim" (Apocalipse22:13)
É muito interessante nós, com nossas mentes finitas, tentarmos imaginar a a grandeza de Deus. Costumo dizer, até me baseando levemente no que Paulo diz em 1Corintíos15:39-40, que explicar ao homem como é ser Deus deve ser como explicar a uma planta o que é ser um homem, ou seja, impossível. Deus transcende a nossa realidade, por isso, mesmo Moisés tendo falado face a face com Deus (Exodos33:11), e tendo aparecido em visão para Ezequiel e Isaías (Ezequiel1 e Isaías6), estes viram apenas uma representação visível, uma fração do que seria Deus, até por esse motivo que o evangelista João diz, posteriormente, que ninguém nunca viu a Deus (João1:18), por que seria impossível para nós, que somos finitos, vermos o infinito por completo.
Entre as infinitudes, pensemos primeiramente na infinitude de espaço, a onipresença: Deus está em todo o lugar ao mesmo tempo. Como exemplificado no Salmo139, Deus está em todo lugar, aqui, aí, até o lugar mais distante que possamos imaginar. A própria grandeza da criação nos assusta: nosso sistema solar tem mais de 400 bilhões que quilômetros de eixo e é apenas um pontinho mínimo dentro da via láctea, que por sua vez e um pontinho entre tantas outras galáxias. Mas Deus ainda é maior que tudo isso, pois Ele mesmo criou o espaço existente, e está em todo ele ao mesmo tempo! Diante disso vemos que não é exagero de Isaías quando, inspirado pelo Espírito, escreve que "todas as nações são [...] menor que nada" (Isaias40:17).
Em segundo lugar podemos pensar em sua infinitude temporal: como pensar em algo que nunca teve início? E se formos ainda mais longe: não só não teve início como também criou o tempo. Deus nunca "nasceu" pois foi ele quem criou o tempo, logo o tempo não existia até Deus cria-lo. Então podemos afirmar que Deus está, também, em todos os tempos simultaneamente! Passado, presente, futuro são apenas questões finitas, do homem. É isso que Pedro quer nos explicar quando diz: "Para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos com,o um dia" (2Pedro3:8).
Você pode me perguntar como pode Deus existir, antes da criação,
sem um espaço e sem tempo? Ou como pode estar ao mesmo tempo em todos os lugares e épocas? Seria impossível explicar! Mas é exatamente essa sensação que queria passar. Que possamos não tentarmos medir o imensurável, mas entendermos nossa insignificância diante de um Deus transcendente que, apesar de toda sua infinitude, se importa conosco e nos ama de forma pessoal. Diante disso tudo posso apenas agradecer e dizer: quão grande é meu Deus! Boa noite!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Amor: o maior dom

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá." (1Corintios13:1-3)
Essa passagem que é tão conhecida por aí pela sua poética e pela música Monte Castelo da Legião Urbana é alto explicativa. Escrita por Paulo nas cartas aos coríntios, após uma longa explicação a cerca dos dons espirituais de curas, línguas e milagres ele para e escreve: "Passo agora a mostrar um caminho mais excelente" (12:30), e escreve os versos acima retirados, mostrando a primazia do amor em relação a qualquer outro dom.
Muitas vezes, dentro da igreja, esquecemos desse "caminho mais excelente" proposto por Paulo, e acabamos vivendo um evangelho que, se analisarmos segundo o texto, será vazio. Não lembramos do que Jesus diz no final do capítulo 22 de Mateus sobre os dois maiores mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo, por que todas as leis e os profetas dependem disso. (Mateus22:37-40).
Vejo muito isso em pessoas que querem defender o evangelho com unhas e dentes, e com isso, acabam provocando mais calor do que luz. Em uma experiência que vivi em um ponto de ônibus vi um evangelismo sem amor: o homem foi falar de Cristo para uma budista, e após saber que a mulher era budista a interrompeu:
- Mas como esse tal Buda nasceu? - Provavelmente para dizer que Buda nasceu de formas naturais e Jesus foi concebido miraculosamente.
- Meu homem, Buda não é uma pessoa! - Ele não sabia que Buda não era um nome de uma pessoa!
- Claro que é! Eu fiz curso de teologia e você quer me dizer que não sei que Buda não era uma pessoa! - Agora ele chegou a máxima que querer ensinar a própria budista sobre sua religião. Já com raiva, ela olhou para mim e disse:
- Esses crentes não sabem falar de nada, acham que só eles estão certos. Vai falar de literatura, para ver se eles sabem de alguma coisa! - e saiu e foi pegar o ônibus em outro ponto. Depois ele me falou:
- Jesus disse que nem todo mundo ia aceitar sua palavra.
E o pouco de tempo que tive com ele tentei explica-lo que, na verdade, grande parte da culpa da mensagem não ter chegado a pessoa também foi dele. Um evangelismo, ou qualquer outra coisa feita dentro da igreja, sem amor, será infrutífera. E isso me faz pensar quantas coisas infrutíferas estão sendo feitas dentro da igreja. Precisamos amar! Ouvir mais do que falar, entender mais do que julgar, se por verdadeiramente no lugar do nosso próximo. O evangelho é muito melhor pregado pela demonstração de amor do que pelos argumentos. E não só no evangelismo, mas tudo que fazemos na igreja deve estar baseado, primeiramente no amor a Deus e depois no amor ao próximo. Boa Tarde!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ganhador de almas?

"Eu plantei, Apólo regou, mas Deus é quem fazia crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento."(1 Coríntios 3:6-7)

No texto acima, Paulo explica aos coríntios que, nem ele que foi o fundador da igreja naquela cidade, nem Apolo, que foi o irmão que deu continuidade a seu trabalho, são dignos de honra, mas unicamente Deus, que foi quem fez a igreja crescer. Há algo aí que muitas vezes não é bem compreendido dentro de nossas igrejas, é que somos apenas instrumentos de Deus.
Muitas vezes já vi pessoas falando que já ganharam uma tal quantidade de almas para o Reino, sem se dar conta, primeiramente, de todo processo que a pessoa passou antes de aceitar Jesus. Com certeza, pregar um dia em uma igreja e tal pessoa aceitar Jesus não é nem 10% do trabalho, é só colher o fruto, que  é muito mais fácil do que plantar e regar. Na minha pouca experiência com evangelismo percebi que quando uma pessoa aceita a Jesus durante o trabalho é como se Deus estivesse colocando a bola no nosso pé, com a gente na frente do gol, e dissesse "agora é só chutar"! Só estamos colhendo do trabalho de muitos outros irmãos, muito tempo de testemunhos e palavras que a pessoa viu e ouviu. Mas ainda que falemos de Jesus pela primeira vez para a pessoa, acompanhemos todo seu processo até o momento do batismo não poderíamos nos glorificar de nada: pois é o Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do Juízo (João16:8). É quando a pessoa está a sós, pensando em tudo que ouviu que o Espírito age em seu favor. É Deus quem dá o crescimento. Embora possamos sim nos alegrar, pois como diz a continuidade do verso de Coríntios acima "O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com seu trabalho."(1 Coríntios 3:8) temos que compreender nossa função de instrumento. Muitos são os que tentam enfiar o evangelho goela abaixo da pessoa, tentando convencer que todos os fatos biblicos são verdadeiros, ridicularizando as outras religiões, e quase obrigando a pessoa a aceitar a Jesus, quando, na verdade, essa não é a nossa função, mas convencer é função exclusiva do Espírito. Nossa obrigação e falar a palavra, pois se não ouvirem, não terão como crer (Romanos10:14), e Jesus mesmo nos adverte que encontraremos diversos tipos de recepção à Palavra de Deus (Marcos4). Falo isso não só teoricamente, mas como testemunha: quando a pessoa não quer, o pastor pode chama-la a frente da congregação, orar por ela, insistir para ela aceitar Jesus que nada disso terá efeito, mas quando a pessoa quer, ou melhor, quando o Espírito Santo tocou verdadeiramente a pessoa, você talvez nem precisará chama-la para ir a igreja, ela mesmo se convidará. E ainda que não, lembre-se que talvez essa semente que você plantou hoje alguém irá regar, e outro ainda colherá, e você nem ficará sabendo. Tudo é claro, diante do crescimento de Deus, pois sem Ele, todo o trabalho seria em vão! Boa Tarde!

terça-feira, 25 de março de 2014

Consequências

"Judá, seus irmãos o louvarão, sua mão está sobre o pescoço dos seus inimigos; os filhos de seu pai se curvarão diante de você. [...] O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão. (Gênesis 49:8 e 10)

O capitulo 49 de Gênesis trata da bênção que Jacó dá aos seus dose filhos, e os versos retirados acima tratam da bênção concedida ao seu filho Judá. A bênção trata, primeiro da primazia de Judá em relação aos seus irmãos, e segundo, em relação ao reinado, que não se afastaria da sua descendência. Temos nessa bênção a primeira clara profecia bíblica messiânica quando é dito "até que venha aquele a quem ele (o cetro) pertence", referindo-se assim a Jesus, que pertenceria a tribo de Judá. A própria palavra "judeu" tem sua origem no nome de Judá. Mas o que vamos tratar aqui é o porque que Judá recebeu a maior bênção de seu pai, quando na verdade ela deveria pertencer ao primogênito de Jacó, Rúben, ou ainda a seus dois outros irmãos mais velho, Simeão e Leví. Veremos isso nas bênçãos que antecedem a de Judá.
Quando Jacó vai abençoar Rúben, no verso 3 e 4 do mesmo capitulo, e dito que "já não será superior, por que você subiu a cama de seu pai, ao meu leito, e o desonrou". Anteriormente, no capitulo 35 e verso 22 de Gênesis, é escrito, quase que isoladamente do andar da narrativa que "Rúben deitou-se com Bila, concubina de seu pai. E Israel (seu pai, também chamado de Jacó), ficou sabendo disso". Não nos é dito consequência alguma desse ato, sendo tratado como um fato corriqueiro, até o momento de Jacó abençoar seus filhos, e Rúben não ganhar a bênção digna do primogênito, por conta desse ato.
O mesmo ocorre com Levi e Simeão. Outro fato que, teoricamente não teve consequência imediata é a vingança, no capitulo 34 de Gênesis, iniciada por Leví e Simeão contra os siquemitas, um povo vizinho, por causa de seu príncipe ter desonrado a irmã deles, mesmo depois de tudo já ter sido resolvido por Jacó. Em sua bênção, nos versos 5 a 7, Jacó diz a Simeão e Leví que "Maldita seja sua ira, tão tremenda, e a sua fúria, tão cruel!".
Com Rúben, Simeão e Leví fora do caminho, sobrou Judá para receber a bênção de primogênito, mas o mesmo também já havia cometido seus erros: no capítulo 38 de Gênesis, Judá comete injustiça com a sua nora Tamar, por acreditar supersticiosamente que e a morte de seus filhos tinha algo a ver com ela, quando na verdade seus próprios filhos eram maus (verso 7 e 10), e ter, sem saber, dormido com essa própria nora (verso 16). 
Então qual foi a diferença entre ele e seus irmãos? Porque a bênção não passou para seu irmão Zebulom, o proximo da lista? Não é dito na Bíblia o motivo, mas um fato interessante é que Judá se arrependeu! Enquanto não é relatado desculpa alguma de Rúben, Simeão e Leví tentaram justificar a si mesmo (Gênesis34:31). Mas Judá, pelo mérito da sabedoria de sua nora injustiçada, percebeu seu erro e disse "Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue meu filho Selá" (Gênesis38:26).
Que venhamos a aprender com isso. Mesmo o pecado de Judá teve consequências, mas o arrependimento pode ter permitido que ele recebesse a maior bênção de seu pai, e consequentemente a de Deus. Lembremo-nos de sempre nos arrepender, e não ficarmos omissos ou tentarmos nos justificar, como seus irmãos. Por que errarmos, com certeza vamos, agora o se arrepender depende de nós! Boa Tarde!