terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O que andamos ouvindo na igreja?



Infelizmente muitas pessoas na igreja tem a mania de só ligar para as aparências e ignorar o conteúdo, quando tratamos da escolha de músicas que podem ou não ser reproduzidas durante o culto. A partir do momento que a música é do estilo "gospel" ela já está automaticamente aprovada para ser cantando e tocada pelos grupos e dificilmente uma atenção a mais é voltada para as letras e o real conteúdo transmitidos por elas. Não vou nem decorrer aqui de músicas com errinhos teológicos, que também não creio que sejam o maior problema. O maior problema são músicas compostas para a alimentação e exaltação do "eu".
Podemos começar com aqueles hinos que, em suas histórias, colocam o cristão em uma posição de derrotado, até que ele ignora todos os avisos de que a coisa não vai dar certo, se torna um "vencedor" e vê as pessoas que o prejudicaram ou não o ajudaram arrependidas. Aposto que já lembrou de um "hino" assim, não? Essas canções são filhas da teologia da prosperidade, alimentando nosso ego, prometendo-nos uma suposta vitória sobre um problema, sem levar em consideração que muitas vezes o cristão não só vai, como necessita, ouvir um não, necessita não ser "vitorioso" em tal situação, para que possa aprender com isso. Paulo mesmo quando ora três vezes pedindo que Deus tire um suposto "espinho na carne" que era algo, ou alguém que lhe causava tormentos, Deus lhe diz "minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Coríntios 12:9). A vitória real que tantas vezes é tratada na Bílbia e a nossa fé (1João5:4), a vitória que vence o mundo em nós, e não ser uma pessoa bem sucedida e reconhecida, essa é outra vitória: a do mundo (1João2:16).
Ainda há um outro tipo de hino, que é aquele que exalta o eu: eu canto, eu oro, eu jejuo, eu me desvio do mal, eu sou adorador, eu vou para a fornalha, etc. É como o fariseu de Lucas18:10-14, se vangloriando de si mesmo, esquecendo-se que, se somos algo, é apenas pela misericórdia de Deus. Há dois problemas desses tipos de "hinos": o primeiro é, que muitas pessoas acabam o cantando em seus grupos e ministérios sem fazer a mínima noção de que estão sendo hipócritas, dizendo que fazem coisas que não fazem. Será que todas a pessoas que cantam, ou mesmo que compõe tais hinos realmente falam isso com propriedade? Preferem realmente ir para "fornalha"? Enquanto tem tanta gente cantando alegremente que vai pra morte por causa do evangelho o próprio filho de Deus orou a Deus para que, se fosse possível, passasse dele aquele cálice, e suou sangue de tanta angústia, em vista da morte (Lucas22:41-44). É muita presunção, não é? O segundo problema é que tais hinos esquecem muitas vezes de dar a gloria devida a Deus. É apenas eu, eu, eu, eu, o hino inteiro. Por que no lugar de escrever, por exemplo, "eu fujo do pecado", o compositor não escreve "Deus me livra do pecado" ou "Deus me faz fugir do pecado"?
Que tenhamos mais consciência em relação as canções que utilizamos para louvar a Deus em nossas comunidades. Que tenhamos a letra do hino em maior consideração que seu estilo musical, pois, como o próprio Jesus perguntou aos fariseus, "o que é mais importante o ouro, ou o santuário, que santifica o ouro?" Boa noite!

Nenhum comentário:

Postar um comentário