"Desejando agradar a multidão, Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para se crucificado."(Marcos15:15)
Muitas pessoas quando vão estudar um personagem da Bíblia normalmente escolhem Davi, José ou Daniel, sem entender que desses já sabemos bastante. Não que não devamos estuda-los, mas creio que podemos aprender muito também com personagens menores da Bíblia. Pouco sabemos sobre Pôncio Pilatos, governador da Judeia nos tempos de Jesus, e são incertas as considerações acerca de seu destino e sua morte, mas podemos analisar bem seu interior a partir de seu encontro com Jesus relatado nos Evangelhos.
Umas coisa comumente aceita entre os historiadores e a Bíblia é que Pilatos era um homem sanguinário (Lucas13:1), era o responsável pela província romana da Judeia, lugar onde havia a concentração maior da fé judaica, por conta do templo de Jerusalém. Os relatos bíblicos começam quando os chefes dos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos para que o condenem como um criminoso, Pilatos, porem, não quer entrar na causa e fala para que eles próprios o julguem em seu tribunal (João18:29-31), mas os judeus não podiam executar ninguém, então acusam falsamente Jesus diante de Pilatos. Pilatos sabia que o tinham entregado por inveja, (Mateus27:18) e tinha poder para soltar Jesus (João19:10), então ele começa um diálogo com Jesus descrito mais detalhadamente no capítulo 18 de João. Pilatos ficou impressionado com Jesus (Marcos15:7), e o manda para Herodes (Lucas23:7), o governador Galileia, para que este julgasse o caso. Herodes, também não querendo tomar o caso, o manda de volta para Pilatos que, para agradar os sacerdotes, manda castigar Jesus e depois solta-lo (Lucas23:16). Depois de açoitar Jesus, Pilatos provavelmente achava que os sacerdotes judeus o deixariam em paz, mas não foi o que aconteceu. Em virtude da insistência de Pilatos em não condenar Jesus, os sacerdotes revelam a real acusação: que Jesus se dizia ser filho de Deus! Agora Pilatos fica mais assustado ainda (João19-8). Então ele teve uma ideia: fazer o povo escolher entre Jesus e um criminoso, chamado Barrabás, por conta de uma tradição da época. Na cabeça de Pilatos o povo ia escolher a Jesus, pois Pilatos desejava solta-lo (Lucas23:20). Porem a multidão, influenciada pelos sacerdotes, acaba por escolher Barrabás, e Pilatos é posto contra parede! Como se não bastasse, a sua mulher manda-lhe uma mensagem dizendo que teve um sonho sobre Jesus que a deixou aflita, e que não era para Pilatos entrar nesse caso (Mateus27:19). Pilatos insistiu por três vezes, contra a multidão, para que Jesus fosse solto (Lucas23:22) mas o povo não concordou. Então, segue o verso acima, em que Pilatos "querendo agradar a multidão" manda Jesus para a crucificação. Pilatos ainda, ousadamente, para manifestar-se contra os sacerdotes que condenaram um homem inocente a morte, escreve em aramaico, latim e grego, como acusação, na cruz, que Jesus é o rei dos judeus, apesar da reclamação dos judeus que liam isso (João19:19-22).
O que aprendemos com Pilatos? Que Deus nos cobra algumas atitudes quando temos um encontro com Ele. Pilatos temeu Jesus, percebeu que ele não era qualquer um. Tentou se desfazer da responsabilidade, passando-a para Herodes e para multidão, mas não adiantou. Queria solta-lo, mas havia muita coisa em jogo: provavelmente haveria uma rebelião e ele perderia seu cargo de governador. Infelizmente, Pilatos decidiu agradar o povo, no lugar de agradar a Deus. Tentando justificar-se, Pilatos "lava as mãos" (Mateus27:24). Muitas vezes também tentamos nos justificar inutilmente por não tomarmos uma decisão diante de Deus, ou passar essa decisão para terceiros, ou tentamos ganhar tempo ou ainda protegermos a causa de Jesus, como fez Pilatos. Mas quando temos um encontro com Deus uma decisão é necessária! Quando Jesus fala com Pilatos, Jesus diz a ele que o pecado maior foi o dos que o entregaram à ele (João19:11). Será que Pilatos pode se arrepender depois? Fontes históricas dizem que ele perdeu seu cargo de governador por conta de um incidente com samaritanos, e cometeu suicídio, mas é difícil dizer o que é realmente verídico. Mas o importante é que podemos tomar sua história como uma lição, sobre a nossas responsabilidades diante de Deus. E você? Solta ou crucifica Jesus em sua vida?
Boa noite!

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