quarta-feira, 18 de junho de 2014

Reflexão sobre o humanoartistacristão


Há algum tempo atrás vi uma esquete, em um evento especifico que visa levar o evangelho à  pessoas  não conhecedoras do mesmo. 
A esquete obviamente feita por pessoas que não são atores profissionais, mas que ainda assim estava muito bem estruturada no que diz respeito a técnicas teatrais como: triangulação, projeção de voz, consciência corporal, entre outras,porem percebi que a esquete tinha o que sempre temos no teatro "de igreja", pessoas com muito boa vontade mas que não fazem do seu trabalho um ato de reflexão.
Personagens caricatos: uma prostituta, um mendigo, um dependente químico, e claro um cristo vestido de branco. Não quo dizer que a cena não é potente, mas que não existia espaço para refletir sobre o que Cristo propõe: uma vida abundante. 
Assisti junto com  outras tantas pessoas as mazelas do ser humano caído, mas não conseguia ver no cristo vida, restauração, embora ele o cristo salvasse todos aqueles personagens e tivesse um olhar amoroso. Me peguei pensando no cristo europeu desenhado por tantos artistas da idade media e que ate hoje são referencias para os cristãos católicos e para muitos protestantes também. Pois bem algumas perguntas que me fiz: Qual reflexão essas pessoas vão levar dessa experiência? Qual a relação que esses atores amadores tem com a arte? Eles se questionam sobre o que estão representando? Se trabalham com clichês é por escolha ou por falta de conhecimento? 
São perguntas para pensarmos, talvez não tenhamos apenas uma resposta, mas gostaria de deixar minha impressão sobre esses questionamentos.
Proponho nos meus trabalhos uma reflexão em relação ao que ouvimos em uma mensagem. Se ouvimos que devemos amar o próximo como a nós mesmos como posso sair de uma reunião, um culto (seja lá qual nome daremos para o nosso encontro com cristo de domingo à noite) e vermos alguém passando frio e não fazer nada? Ou precisando de ajuda para subir em um ônibus, ou precisando conversar? Parece pouco não é? Mas ao lermos varias passagens bíblicas nos deparamos com um Cristo que sempre tinha algo a mais para oferecer as pessoas que o seguiam, é possível perceber sua bondade e a mensagem em AÇÃO, não apenas na palavra.
Isso me traz uma certeza: é impossível fazer arte e gerar vida sem conhecer o contexto do outro, a sua cultura, a sua experiência de vida. Cristo não apenas passava pela experiência, ele estava atento ao seu redor, cumpriu toda a lei Judaica para se fazer merecedor e passível de mudanças nessas leis. Isso é claro levou algum tempo. 
Mas como administramos o nosso  tempo para vivenciar o que de fato é importante para o Reino? Tudo isso esta relacionado com quais reflexões fazemos ao ver uma cena, seja na rua, na igreja, em um evento, mas também está relacionado em como eu me posiciono no mundo. É necessário e eu diria que se faz urgente repensarmos nossa posição enquanto cidadãos cristãos nesse século.
A arte não pode ser vista apenas como ferramenta de evangelismo, embora seja muito potente, pois esse é um dos papeis dela: gerar questionamentos e através desses gerar vida. Creio ser de extrema importância relacionar o seu trabalho (ainda que amador) com outros tipos de trabalhos, como por exemplo: exposições, instalações, fotografias, musica, poesias, espetáculos de dança ou teatro. Conhecer outras pessoas que trabalhem com essas linguagens artísticas, dentro e principalmente fora da igreja. Pode uma lamparina trazer luz na claridade? Nós só podemos ser pequenos Cristos, onde o amor dele ainda não alcançou, sei que parece chover no molhado isso que escrevo, mas a igreja dessas ultimas décadas se esqueceu para o que de fato foi chamada, é necessário voltarmos e olharmos com mais atenção para os ensinamentos de cristo. Pensar e repensar sobre a vida, o reino, o seu papel no reino. 
Orar, ler, ler mais, muito mais, escrever sobre o que se leu. Com tantos avanços tecnológicos, quase nos esquecemos do que tanto nos foi útil outrora: a escrita, o papel.
Fazer valer a escrita de tantos teóricos como: Rookmaaker; Schaefer; Sandro Baggio; Guido Conrado; Isabel Coimbra; Carolina L. Gualberto; Ceci Baptista Mariani; Maria Angela Vilhena e tantos outros.
Conhecer para entender, entender para questionar e questionar para crescer transformar, melhorar, especializar. 
Trabalhar com o clichê por opção e não por falta de opção. O clichê pode ser transformador também, se apropriar de formas já comumente utilizadas é uma boa maneira de se começar, mas não é interessante ver sempre a mesma coisa. Por isso  é de urgência primaria criar, recriar, pensar, estudar a fundo, buscar uma ova maneira de se fazer uma mesma cena, uma dança, um quadro, inovar.
Se você é cristão e esta lendo isso deve estar se perguntando onde eu encontro Deus em tudo isso? Pois bem, Deus está em tudo isso, porque isso é a vida. Estamos tão acostumados a separar em caixas o que podemos ou não dizer, fazer,o secular do espiritual, que as vezes nos esquecemos de perceber Cristo nos detalhes, nas pequenas coisas. 
Ler um teórico não cristão pode te ajudar a entender a visão de mundo que ele tem e te ajudar a respeitar e entender um nicho especifico, eu diria que você pode encontrar Cristo em muitas citações, mas isso é uma descoberta, é individual e opcional.
Um bom testemunho, ser luz nos detalhes, nas pequenas coisas. Ser humano, pois Deus te fez com um propósito muito claro: viver e gerar ainda mais vida e deseja que ela seja abundante.
- Ester Lopes de Souza

Nenhum comentário:

Postar um comentário