terça-feira, 15 de abril de 2014

A trancedência divina

"Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Ultimo, o Princípio e o Fim" (Apocalipse22:13)
É muito interessante nós, com nossas mentes finitas, tentarmos imaginar a a grandeza de Deus. Costumo dizer, até me baseando levemente no que Paulo diz em 1Corintíos15:39-40, que explicar ao homem como é ser Deus deve ser como explicar a uma planta o que é ser um homem, ou seja, impossível. Deus transcende a nossa realidade, por isso, mesmo Moisés tendo falado face a face com Deus (Exodos33:11), e tendo aparecido em visão para Ezequiel e Isaías (Ezequiel1 e Isaías6), estes viram apenas uma representação visível, uma fração do que seria Deus, até por esse motivo que o evangelista João diz, posteriormente, que ninguém nunca viu a Deus (João1:18), por que seria impossível para nós, que somos finitos, vermos o infinito por completo.
Entre as infinitudes, pensemos primeiramente na infinitude de espaço, a onipresença: Deus está em todo o lugar ao mesmo tempo. Como exemplificado no Salmo139, Deus está em todo lugar, aqui, aí, até o lugar mais distante que possamos imaginar. A própria grandeza da criação nos assusta: nosso sistema solar tem mais de 400 bilhões que quilômetros de eixo e é apenas um pontinho mínimo dentro da via láctea, que por sua vez e um pontinho entre tantas outras galáxias. Mas Deus ainda é maior que tudo isso, pois Ele mesmo criou o espaço existente, e está em todo ele ao mesmo tempo! Diante disso vemos que não é exagero de Isaías quando, inspirado pelo Espírito, escreve que "todas as nações são [...] menor que nada" (Isaias40:17).
Em segundo lugar podemos pensar em sua infinitude temporal: como pensar em algo que nunca teve início? E se formos ainda mais longe: não só não teve início como também criou o tempo. Deus nunca "nasceu" pois foi ele quem criou o tempo, logo o tempo não existia até Deus cria-lo. Então podemos afirmar que Deus está, também, em todos os tempos simultaneamente! Passado, presente, futuro são apenas questões finitas, do homem. É isso que Pedro quer nos explicar quando diz: "Para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos com,o um dia" (2Pedro3:8).
Você pode me perguntar como pode Deus existir, antes da criação,
sem um espaço e sem tempo? Ou como pode estar ao mesmo tempo em todos os lugares e épocas? Seria impossível explicar! Mas é exatamente essa sensação que queria passar. Que possamos não tentarmos medir o imensurável, mas entendermos nossa insignificância diante de um Deus transcendente que, apesar de toda sua infinitude, se importa conosco e nos ama de forma pessoal. Diante disso tudo posso apenas agradecer e dizer: quão grande é meu Deus! Boa noite!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Amor: o maior dom

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá." (1Corintios13:1-3)
Essa passagem que é tão conhecida por aí pela sua poética e pela música Monte Castelo da Legião Urbana é alto explicativa. Escrita por Paulo nas cartas aos coríntios, após uma longa explicação a cerca dos dons espirituais de curas, línguas e milagres ele para e escreve: "Passo agora a mostrar um caminho mais excelente" (12:30), e escreve os versos acima retirados, mostrando a primazia do amor em relação a qualquer outro dom.
Muitas vezes, dentro da igreja, esquecemos desse "caminho mais excelente" proposto por Paulo, e acabamos vivendo um evangelho que, se analisarmos segundo o texto, será vazio. Não lembramos do que Jesus diz no final do capítulo 22 de Mateus sobre os dois maiores mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo, por que todas as leis e os profetas dependem disso. (Mateus22:37-40).
Vejo muito isso em pessoas que querem defender o evangelho com unhas e dentes, e com isso, acabam provocando mais calor do que luz. Em uma experiência que vivi em um ponto de ônibus vi um evangelismo sem amor: o homem foi falar de Cristo para uma budista, e após saber que a mulher era budista a interrompeu:
- Mas como esse tal Buda nasceu? - Provavelmente para dizer que Buda nasceu de formas naturais e Jesus foi concebido miraculosamente.
- Meu homem, Buda não é uma pessoa! - Ele não sabia que Buda não era um nome de uma pessoa!
- Claro que é! Eu fiz curso de teologia e você quer me dizer que não sei que Buda não era uma pessoa! - Agora ele chegou a máxima que querer ensinar a própria budista sobre sua religião. Já com raiva, ela olhou para mim e disse:
- Esses crentes não sabem falar de nada, acham que só eles estão certos. Vai falar de literatura, para ver se eles sabem de alguma coisa! - e saiu e foi pegar o ônibus em outro ponto. Depois ele me falou:
- Jesus disse que nem todo mundo ia aceitar sua palavra.
E o pouco de tempo que tive com ele tentei explica-lo que, na verdade, grande parte da culpa da mensagem não ter chegado a pessoa também foi dele. Um evangelismo, ou qualquer outra coisa feita dentro da igreja, sem amor, será infrutífera. E isso me faz pensar quantas coisas infrutíferas estão sendo feitas dentro da igreja. Precisamos amar! Ouvir mais do que falar, entender mais do que julgar, se por verdadeiramente no lugar do nosso próximo. O evangelho é muito melhor pregado pela demonstração de amor do que pelos argumentos. E não só no evangelismo, mas tudo que fazemos na igreja deve estar baseado, primeiramente no amor a Deus e depois no amor ao próximo. Boa Tarde!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ganhador de almas?

"Eu plantei, Apólo regou, mas Deus é quem fazia crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento."(1 Coríntios 3:6-7)

No texto acima, Paulo explica aos coríntios que, nem ele que foi o fundador da igreja naquela cidade, nem Apolo, que foi o irmão que deu continuidade a seu trabalho, são dignos de honra, mas unicamente Deus, que foi quem fez a igreja crescer. Há algo aí que muitas vezes não é bem compreendido dentro de nossas igrejas, é que somos apenas instrumentos de Deus.
Muitas vezes já vi pessoas falando que já ganharam uma tal quantidade de almas para o Reino, sem se dar conta, primeiramente, de todo processo que a pessoa passou antes de aceitar Jesus. Com certeza, pregar um dia em uma igreja e tal pessoa aceitar Jesus não é nem 10% do trabalho, é só colher o fruto, que  é muito mais fácil do que plantar e regar. Na minha pouca experiência com evangelismo percebi que quando uma pessoa aceita a Jesus durante o trabalho é como se Deus estivesse colocando a bola no nosso pé, com a gente na frente do gol, e dissesse "agora é só chutar"! Só estamos colhendo do trabalho de muitos outros irmãos, muito tempo de testemunhos e palavras que a pessoa viu e ouviu. Mas ainda que falemos de Jesus pela primeira vez para a pessoa, acompanhemos todo seu processo até o momento do batismo não poderíamos nos glorificar de nada: pois é o Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do Juízo (João16:8). É quando a pessoa está a sós, pensando em tudo que ouviu que o Espírito age em seu favor. É Deus quem dá o crescimento. Embora possamos sim nos alegrar, pois como diz a continuidade do verso de Coríntios acima "O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com seu trabalho."(1 Coríntios 3:8) temos que compreender nossa função de instrumento. Muitos são os que tentam enfiar o evangelho goela abaixo da pessoa, tentando convencer que todos os fatos biblicos são verdadeiros, ridicularizando as outras religiões, e quase obrigando a pessoa a aceitar a Jesus, quando, na verdade, essa não é a nossa função, mas convencer é função exclusiva do Espírito. Nossa obrigação e falar a palavra, pois se não ouvirem, não terão como crer (Romanos10:14), e Jesus mesmo nos adverte que encontraremos diversos tipos de recepção à Palavra de Deus (Marcos4). Falo isso não só teoricamente, mas como testemunha: quando a pessoa não quer, o pastor pode chama-la a frente da congregação, orar por ela, insistir para ela aceitar Jesus que nada disso terá efeito, mas quando a pessoa quer, ou melhor, quando o Espírito Santo tocou verdadeiramente a pessoa, você talvez nem precisará chama-la para ir a igreja, ela mesmo se convidará. E ainda que não, lembre-se que talvez essa semente que você plantou hoje alguém irá regar, e outro ainda colherá, e você nem ficará sabendo. Tudo é claro, diante do crescimento de Deus, pois sem Ele, todo o trabalho seria em vão! Boa Tarde!

terça-feira, 25 de março de 2014

Consequências

"Judá, seus irmãos o louvarão, sua mão está sobre o pescoço dos seus inimigos; os filhos de seu pai se curvarão diante de você. [...] O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão. (Gênesis 49:8 e 10)

O capitulo 49 de Gênesis trata da bênção que Jacó dá aos seus dose filhos, e os versos retirados acima tratam da bênção concedida ao seu filho Judá. A bênção trata, primeiro da primazia de Judá em relação aos seus irmãos, e segundo, em relação ao reinado, que não se afastaria da sua descendência. Temos nessa bênção a primeira clara profecia bíblica messiânica quando é dito "até que venha aquele a quem ele (o cetro) pertence", referindo-se assim a Jesus, que pertenceria a tribo de Judá. A própria palavra "judeu" tem sua origem no nome de Judá. Mas o que vamos tratar aqui é o porque que Judá recebeu a maior bênção de seu pai, quando na verdade ela deveria pertencer ao primogênito de Jacó, Rúben, ou ainda a seus dois outros irmãos mais velho, Simeão e Leví. Veremos isso nas bênçãos que antecedem a de Judá.
Quando Jacó vai abençoar Rúben, no verso 3 e 4 do mesmo capitulo, e dito que "já não será superior, por que você subiu a cama de seu pai, ao meu leito, e o desonrou". Anteriormente, no capitulo 35 e verso 22 de Gênesis, é escrito, quase que isoladamente do andar da narrativa que "Rúben deitou-se com Bila, concubina de seu pai. E Israel (seu pai, também chamado de Jacó), ficou sabendo disso". Não nos é dito consequência alguma desse ato, sendo tratado como um fato corriqueiro, até o momento de Jacó abençoar seus filhos, e Rúben não ganhar a bênção digna do primogênito, por conta desse ato.
O mesmo ocorre com Levi e Simeão. Outro fato que, teoricamente não teve consequência imediata é a vingança, no capitulo 34 de Gênesis, iniciada por Leví e Simeão contra os siquemitas, um povo vizinho, por causa de seu príncipe ter desonrado a irmã deles, mesmo depois de tudo já ter sido resolvido por Jacó. Em sua bênção, nos versos 5 a 7, Jacó diz a Simeão e Leví que "Maldita seja sua ira, tão tremenda, e a sua fúria, tão cruel!".
Com Rúben, Simeão e Leví fora do caminho, sobrou Judá para receber a bênção de primogênito, mas o mesmo também já havia cometido seus erros: no capítulo 38 de Gênesis, Judá comete injustiça com a sua nora Tamar, por acreditar supersticiosamente que e a morte de seus filhos tinha algo a ver com ela, quando na verdade seus próprios filhos eram maus (verso 7 e 10), e ter, sem saber, dormido com essa própria nora (verso 16). 
Então qual foi a diferença entre ele e seus irmãos? Porque a bênção não passou para seu irmão Zebulom, o proximo da lista? Não é dito na Bíblia o motivo, mas um fato interessante é que Judá se arrependeu! Enquanto não é relatado desculpa alguma de Rúben, Simeão e Leví tentaram justificar a si mesmo (Gênesis34:31). Mas Judá, pelo mérito da sabedoria de sua nora injustiçada, percebeu seu erro e disse "Ela é mais justa do que eu, pois eu devia tê-la entregue meu filho Selá" (Gênesis38:26).
Que venhamos a aprender com isso. Mesmo o pecado de Judá teve consequências, mas o arrependimento pode ter permitido que ele recebesse a maior bênção de seu pai, e consequentemente a de Deus. Lembremo-nos de sempre nos arrepender, e não ficarmos omissos ou tentarmos nos justificar, como seus irmãos. Por que errarmos, com certeza vamos, agora o se arrepender depende de nós! Boa Tarde!

terça-feira, 18 de março de 2014

Um homem que teve um encontro com Jesus

"Desejando agradar a multidão, Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para se crucificado."(Marcos15:15)
Muitas pessoas quando vão estudar um personagem da Bíblia normalmente escolhem Davi, José ou Daniel, sem entender que desses já sabemos bastante. Não que não devamos estuda-los, mas creio que podemos aprender muito também com personagens menores da Bíblia. Pouco sabemos sobre Pôncio Pilatos, governador da Judeia nos tempos de Jesus, e são incertas as considerações acerca de seu destino e sua morte, mas podemos analisar bem seu interior a partir de seu encontro com Jesus relatado nos Evangelhos.
Umas coisa comumente aceita entre os historiadores e a Bíblia é que Pilatos era um homem sanguinário (Lucas13:1), era o responsável pela província romana da Judeia, lugar onde havia a concentração maior da fé judaica, por conta do templo de Jerusalém. Os relatos bíblicos começam quando os chefes dos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos para que o condenem como um criminoso, Pilatos, porem, não quer entrar na causa e fala para que eles próprios o julguem em seu tribunal (João18:29-31), mas os judeus não podiam executar ninguém, então acusam falsamente Jesus diante de Pilatos. Pilatos sabia que o tinham entregado por inveja, (Mateus27:18) e tinha poder para soltar Jesus (João19:10), então ele começa um diálogo com Jesus descrito mais detalhadamente no capítulo 18 de João. Pilatos ficou impressionado com Jesus (Marcos15:7), e o manda para Herodes (Lucas23:7), o governador Galileia, para que este julgasse o caso. Herodes, também não querendo tomar o caso, o manda de volta para Pilatos que, para agradar os sacerdotes, manda castigar Jesus e depois solta-lo (Lucas23:16). Depois de açoitar Jesus, Pilatos provavelmente achava que os sacerdotes judeus o deixariam em paz, mas não foi o que aconteceu. Em virtude da insistência de Pilatos em não condenar Jesus, os sacerdotes revelam a real acusação: que Jesus se dizia ser filho de Deus! Agora Pilatos fica mais assustado ainda (João19-8). Então ele teve uma ideia: fazer o povo escolher entre Jesus e um criminoso, chamado Barrabás, por conta de uma tradição da época. Na cabeça de Pilatos o povo ia escolher a Jesus, pois Pilatos desejava solta-lo (Lucas23:20). Porem a multidão, influenciada pelos sacerdotes, acaba por escolher Barrabás, e Pilatos é posto contra parede! Como se não bastasse, a sua mulher manda-lhe uma mensagem dizendo que teve um sonho sobre Jesus que a deixou aflita, e que não era para Pilatos entrar nesse caso (Mateus27:19). Pilatos insistiu por três vezes, contra a multidão, para que Jesus fosse solto (Lucas23:22) mas o povo não concordou. Então, segue o verso acima, em que Pilatos "querendo agradar a multidão" manda Jesus para a crucificação. Pilatos ainda, ousadamente, para manifestar-se contra os sacerdotes que condenaram um homem inocente a morte, escreve em aramaico, latim e grego, como acusação, na cruz, que Jesus é o rei dos judeus, apesar da reclamação dos judeus que liam isso (João19:19-22).
O que aprendemos com Pilatos? Que Deus nos cobra algumas atitudes quando temos um encontro com Ele. Pilatos temeu Jesus, percebeu que ele não era qualquer um. Tentou se desfazer da responsabilidade, passando-a para Herodes e para multidão, mas não adiantou. Queria solta-lo, mas havia muita coisa em jogo: provavelmente haveria uma rebelião e ele perderia seu cargo de governador. Infelizmente, Pilatos decidiu agradar o povo, no lugar de agradar a Deus. Tentando justificar-se, Pilatos "lava as mãos" (Mateus27:24). Muitas vezes também tentamos nos justificar inutilmente por não tomarmos uma decisão diante de Deus, ou passar essa decisão para terceiros, ou tentamos ganhar tempo ou ainda protegermos a causa de Jesus, como fez Pilatos. Mas quando temos um encontro com Deus uma decisão é necessária! Quando Jesus fala com Pilatos, Jesus diz a ele que o pecado maior foi o dos que o entregaram à ele (João19:11). Será que Pilatos pode se arrepender depois? Fontes históricas dizem que ele perdeu seu cargo de governador por conta de um incidente com samaritanos, e cometeu suicídio, mas é difícil dizer o que é realmente verídico. Mas o importante é que podemos tomar sua história como uma lição, sobre a nossas responsabilidades diante de Deus. E você? Solta ou crucifica Jesus em sua vida?
Boa noite!

quarta-feira, 12 de março de 2014

Superstições Gospels



 Houve um caso acontecido na  mídia sobre um pastor de uma certa igreja que proibiu sua congregação de consumir a maionese Hellmann’s, por que, em uma tradução livre do inglês, esse nome significaria  "homem do inferno", e que ela traria malefícios para quem a consumisse. Boato ou não, a realidade é que Hellmanns é o sobrenome do criador da marca, Richard Hellmann, que, em primeiro lugar nem inglês era, e sim alemão. Logo, não podemos fazer uma tradução em uma língua de um nome em outra língua. E ainda que tivesse esse significado, não acredito que isso prejudicaria alguém espiritualmente, já que o próprio Paulo diz, na primeira carta aos Corintios, no capítulo 8, que a comida sacrificada ao ídolos não faz mal, e que o único motivo para não come-la é não fazer o irmão que não tem ciência disso se escandalizar. Oras, ninguém se escandaliza de comer maionese, e desacredito da tendência de pensamentos de alguns de que isso seria, de alguma forma misteriosa, uma "brecha" para o inimigo. Esse tipo de pensamento vai nos levar para o real tema desse post: superstições gospels.
Muitos cristão tem certas crendices que, em sua maioria, não tem nada a ver com a realidade espiritual da coisa. Vou falar de uma que me incomoda a muito tempo: muitos cristãos não falam as palavras Rá-tim-bum, depois da musiquinha de aniversário, por que alguém um dia inventou que essa palavra significa "Eu amaldiçoou você" em tupi-guarani. Para mim tanto faz a musiquinha em si, o problema são as superstições trazidas ao evangelho através de pensamentos como esse. Vamos então aos fatos:
Primeiro, quando ouvimos alguém falando japonês, por exemplo, a pronuncia das palavras já nos indica que se trata da língua japonesa, ou pelo menos uma língua oriental. Vamos pensar nas palavras em tupi que conhecemos: "tamanduateí", "anhaguera", "jacaré", "itaquaquecetuba", "capivara". Vemos que nenhuma delas nem lembra a pronuncia de Rá-tim-bum. E, na verdade, duvido muito que haja uma língua em que a palavra "eu" e "você" tenham uma pronuncia dessas.
Segundo, vamos dizer que houvesse uma ramificação do tupi em que Rá-tim-bum realmente significasse a frase em questão, ou mesmo em uma outra língua qualquer. Estaríamos amaldiçoando alguém em falar isso sem saber o significado? Há algum caso, meramente parecido na Bíblia, de alguém que amaldiçoa uma outra pessoa sem querer? Então teríamos que tomar muito cuidado com que falamos, por que simples palavras como o nosso "sim" tem a mesma pronuncia que "sin", palavra em inglês que significa pecado, e quantas outras palavras que usamos não teriam outros significados em uma das milhares de línguas que existem no mundo a fora?
Terceiro, a palavra Rá-tim-bum, tradicionalmente falando, é considerada onomatopeia do toque da bateria: "rá" o toque da caixa, "tim"  do chimbal e "bum" do bumbo. Não é muito mais obvio?
Acho que os cristãos tem muito mais com que se preocupar do que ficar tentando achar cabelo em ovos, quem sabe depois que o evangelho já tiver sido pregado em todo mundo ai sim será uma boa hora de pegar nossos dicionários de línguas estrangeiras e averiguar palavra por palavra para sabermos se podemos ou não pronuncia-las! É claro, há muitos outros exemplos, mas quis me abster a esses dois. Se você conhece algum diferente, poste no comentário! Uma boa tarde para vocês!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Orgulho Pentecostal?

"Agora, irmãos, se eu for visitá-los e falar em línguas, em que lhes serei útil, a não ser que lhes leve alguma revelação, ou conhecimento, ou profecia, ou doutrina? [...]Todavia, na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em uma língua." (1 Coríntios 14:6 e 19)

No capítulo 14 da primeira epístola aos coríntios Paulo ensina à Igreja que o dom da profecia é superior ao de falar em línguas, decorrendo sobre a inutilidade, em relação a edificação de toda a Igreja, de se falar em línguas sem que haja alguém que a traduza. O que podemos trazer disso para hoje? Já vi, diversas vezes, pregadores subirem ao púlpito e falar com orgulho: "Eu sou pentecostal!", e, mais de uma vez, presenciei falatórios em línguas do pregador durante todo o tempo separado para a mensagem, sem nenhuma mensagem em si ser pregada! E o pior é que muitos destes não deve nem saber o significado real do termo "pentecostes".Vamos falar um pouco sobre isso:
O pentecostes era a festa judaica das semanas no Velho Testamento (Deuteronômio16:9-10), onde se esperava sete semanas após o início da seara, depois da Páscoa, e no quinquagésimo dia se comemorava essa festa, como agradecimento pelo alimento a Deus. Por ser sete semanas, a festa acabava ocorrendo cinquenta dia após a Páscoa, o que deu origem, no grego, ao nome pentecostes, que significa "quinquagésimo dia".
No Novo Testamento, é importante entendermos que, no capitulo 2 de Atos dos Apóstolos, o falar em línguas após a decida do Espírito Santo não foi um acontecimento qualquer: na época do Novo Testamento, todas as pessoas eram bilíngues: falavam grego, por causa do domínio grego ocorrido cerca de 300 anos antes, e a sua língua natal. O grego era como o inglês hoje em dia, uma língua universal. No dia da festa de Pentecostes, muitos judeus e pessoas de diversos povos iam ao templo de Jerusalém, e para se comunicar, todos eles usavam o grego. Imagine então a surpresa deles ao ouvirem os discípulos e apóstolos falarem em suas línguas maternas (Atos2:7-12). Por isso muitos se converteram naquele dia!
A palavra entendível é muito importante dentro da igreja. E quanto ao pregador, é melhor que ele não seja "pentecostal" em cima do púlpito, mas fale claramente a palavra de Deus. É engraçado como há uma questão de prepotência na fala de "Eu sou pentecostal", quando muitas vezes resumimos o Espírito Santo ao menor de seus dons. (1 Coríntios 12:8-10) É bom que a igreja fale em línguas? Com certeza! Mas é muito mais importante que a igreja esteja bem instruída em relação a palavra de Deus. Nisso, os tradicionais que, ao contrário dos que muitos pensam, acreditam sim nos dons do Espírito, estão na nossa frente! Por fim declaro que o dom de línguas é sim maravilhoso e é muito lindo quando acontece de forma harmoniosa. Mas não podemos trocar as prioridades, a pregação ainda é a parte mais importante do culto. Boa noite!